Projeto de Pesquisa

IV FÓRUM DAS LEISHMANIOSES, PALMAS TO

As leishmanioses são antropozoonoses consideradas como um dos grandes problemas de saúde pública Mundial, pois é uma doença negligenciada que acometem pessoas de todas as idades, sexos e raças, causadas por protozoários do gênero Leishmania. Apresentam basicamente duas formas clínicas, a Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), que acomete a pele e mucosas, e a Leishmaniose Visceral Americana (LVA). Inicialmente, as leishmanioses estavam restritas ao ecótopo silvestre e às populações rurais, porém devido a mudança do comportamento do vetor, o Flebotomíneo, que vem mostrando elevada capacidade de adaptação ao ambiente urbano, passou a alcançar os grandes centros urbanos, sendo evidenciado a transmissão autóctone em grandes capitais. As diversas espécies de Flebotomíneos, incriminados na transmissão usam como fonte de infecção hospedeiros suscetíveis silvestres e domésticos. A importância das leishmanioses residem não somente na sua alta incidência e ampla distribuição, mas também na possibilidade de assumir formas graves levando a letalidade, o que é o caso da Leishmaniose Visceral Americana, que se associa a quadros de má nutrição, baixa imunidade e infecções concomitantes. Já a Leishmaniose Tegumentar Americana pode gerar lesões desfigurantes e incapacitantes que podem interferir no campo psicossocial do indivíduo. Conforme o Ministério da Saúde (2018), em 2016 houve no país 12.690 casos de LTA, sendo 235 no estado do Tocantins, enquanto LVA apresentou no mesmo ano 3.200 casos no país, sendo 288 no estado do Tocantins, ou seja, 9% dos casos nacionais. Em 2017 foram diagnosticados 241 casos de LVA e 218 de LTA no estado do Tocantins. Até maio de 2018 já foram identificados no estado do Tocantins 87 casos de LTA e 68 de LVA. A capital do Estado do Tocantins, Palmas, faz parte da área endêmica de LVA, em conformidade com a estratificação de áreas com transmissão do Ministério da Saúde (2017), que a classifica como uma área de transmissão intensa dentro do cenário nacional. Do ano de 2010 ao ano 2016, por exemplo, houve no município 1.432 notificações de Leishmaniose Visceral em humanos, sendo confirmados 175 casos. De 2017 até o mês de maio de 2018 foram notificados 324 casos humanos e confirmados 39, sendo dois óbitos. A prefeitura de Palmas tem trabalhado com ações de promoção, vigilância e assistência em saúde com o intuito de diminuir os casos no município, contando com as atividades desenvolvidas pela Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses de Palmas (UVCZ) que promove serviços de vigilância através de educação social principalmente voltadas para o manejo ambiental, monitoramento canino e entomológico, e atividades de controle vetorial e de reservatórios reagentes. São ainda desenvolvidas atividades para controle populacional dos possíveis reservatórios por meio de castração de cães, sendo realizadas coletas de material biológico para exames sorológicos por meio do inquérito censitário e da vigilância canina, no diagnóstico de Leishmaniose Visceral Canina e seguindo o Manual de Vigilância da Leishmaniose Visceral do Ministério da Saúde, os animais sororreagentes são com recolhidos e eutanasiados. Além dessas atividades, o município também busca diminuir os casos das leishmanioses, tanto visceral quanto a tegumentar, por meio da realização de ações de educação em saúde previstas e pactuadas anualmente no Plano de Vigilância e Controle de Leishmaniose, incluindo fóruns técnico-científicos, por meio das trocas de experiências e apresentação de novas tecnologias e metodologias. As atividades de educação em saúde são estratégias de controle preconizadas pelo Ministério da Saúde, que para este agravo de grande importância, são essenciais para o êxito do programa de prevenção e controle. Desse modo, a realização do “IV Fórum das Leishmanioses”, evento que promoverá conhecimento de novas pesquisas e tecnologias, construindo espaços reflexivos sobre essa problemática e trazendo trocas de experiências exitosas nas práticas de vigilância, tem como objetivo trazer soluções ao serviço, além de contribuir para disseminação de um conhecimento bem sedimentado e consistente no controle da Leishmaniose.

Assunto: Tocantins, Cenário de prática, Incentivo a Inovação, Pesquisa Científica e Tecnologias, Processos de Trabalho, Epidemiologia, Vigilância em Saúde, Leishmaniose Visceral

Autores: COSTA, Betânia Ferreira da Silva ; MARQUES, Renata Zeferino ; NEVES, ALESSANDRA MOREIRA DAS

Ano de Publicação: 08/2018